Este blog traz informações sobre o Morro da Serrinha e a luta de diversos setores sociais para a sua transformação em Parque Ecológico. Confira no site parte da história do morro até a atual luta para criar o parque e a polêmica localização da estátua de Pedro Ludovico.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Estátua de Pedro e Morro da Serrinha: problemas diferentes que se misturaram
Contra o Impacto Anbiental e a favor de um Parque
Publicado no Clube de Notícias
Clube de Engenharia de Goiás
Junho de 2010, Ano XIV, nº 287
Publicado no Clube de Notícias
Clube de Engenharia de Goiás
Junho de 2010, Ano XIV, nº 287
Páginas 18 e 19
Estamos enfrentando dois casos distintos, mas que acabaram por se misturar: fazer uma excelente homenagem a Pedro Ludovico Teixeira e a preservação e transformação do Morro da Serrinha num parque ambiental. Autoridades políticas, organizações não-governamentais e associações, como a Associação dos Amigos do Morro da Serrinha, já cansaram de delatar e registrar, em vários tipos de comunicação, o estado avançado de degradação ambiental em que o Morro da Serrinha se encontra.
O morro é uma área pública destinada a ser um parque, de acordo com o plano original de Goiânia, de autoria do estimado urbanista Attilio Corrêa Lima. Segundo historiadores, o então governador do estado e fundador de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira, vislumbrou lá de cima, montado em seu cavalo, onde seria erguida a nova capital de Goiás. Atualmente, a área em questão é uma APP (área de proteção permanente) que deveria ser de propriedade do município de Goiânia, mas hoje possui muitos “donos”, sendo um deles o Estado de Goiás, o qual adquiriu “uma parte” do morro durante as negociações para a instalação sem sucesso do comentado Teleporto.
Hoje, o topo do morro sofre com as instalações de torres de telefonia e de um reservatório d’água, e seus arredores ultimamente só estão servindo para que parte da população local jogue seu lixo, retire parte do seu solo, provoquem queimadas, derrubem árvores e arbustos nativos do cerrado com a finalidade de fazer lenha, além de praticarem alguns delitos, como uso e venda de entorpecentes.
Além da péssima iluminação ao seu redor, o local se transformou num verdadeiro ponto sem total segurança para a população vizinha e para as pessoas que frequentemente se encontram ali para suas celebrações religiosas ou para esporádicas prática de esportes, como o montanhismo e mountain biking.
Portanto, é de fácil compreensão do por que tanto a família de Pedro Ludovico, quanto autoridades políticas, historiadores e ambientalistas refutam e não concordam com a decisão da secretária da AGEPEL, Linda Monteiro, em instalar o grandioso monumento em homenagem ao Pedro Ludovico Teixeira no Morro da Serrinha.
Para os familiares do ex-governador, políticos e historiadores, o morro, na situação em que se encontra hoje, não é nem de longe o local ideal para tamanha homenagem, onde ela certamente sofreria futuramente com descaso, abandono e depredações. Muitos defendem a construção de um memorial, assim como o que foi feito para JK em Brasília, ou que pelo menos a estátua seja alocada onde Pedro Ludovico comandou Goiás: a Praça Cívica, a qual leva o seu nome. Ou seja, num local onde a estátua pode ser mais bem vista e preservada.
Já os ambientalistas desejam que a Serrinha seja transformada em parque o mais rápido possível, que todas as construções humanas no local sejam retiradas do local e que seja feita a recuperação vegetal desse resquício de cerrado perdido em meio a uma área altamente urbanizada de Goiânia.
Mas com a decisão quase que irrevogável da inacessível secretária Linda Monteiro, a partir da qual já está até aberta a licitação para a construção do local para receber a estátua, toda a população de Goiânia se sente de certa forma impotente quanto à possibilidade de escolha de um local para o monumento. Onde exatamente vai ser colocada a estátua? Que tipo de estrutura será criado? Qual será o impacto ambiental? Vai ser mesmo criado um parque no morro? E qual será o tamanho desse parque? Vai ser justa a homenagem ao fundador da capital? Vale ressaltar que uma enquete realizada pelo jornal Diário da Manhã em janeiro de 2009 mostrou que 83% dos 47 leitores entrevistados preferem a instalação do monumento de Pedro Ludovico na Praça Cívica, e não no Morro da Serrinha.
Em suma, sou contra qualquer tipo de impacto ambiental que possa ser causado ao Morro da Serrinha e prezo pela rápida criação de um parque no local e retirada de todas as instalações prediais existentes. Quanto à estátua, defendo que seja colocada em um local bem visto, como a Praça Cívica, ou que seja criado um memorial para Pedro Ludovico em outro local, que não seja o morro, visto sua situação degradante atual.
João Paulo Antunes da Silva - Presidente da Associação dos Amigos do Morro da Serrinha, graduado em Ciências Biológicas (UEG), pós-graduado lato sensu em Perícia Ambiental (PUC-GO), professor de Educação Ambiental e de Ecologia e Meio Ambiente da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).
Estamos enfrentando dois casos distintos, mas que acabaram por se misturar: fazer uma excelente homenagem a Pedro Ludovico Teixeira e a preservação e transformação do Morro da Serrinha num parque ambiental. Autoridades políticas, organizações não-governamentais e associações, como a Associação dos Amigos do Morro da Serrinha, já cansaram de delatar e registrar, em vários tipos de comunicação, o estado avançado de degradação ambiental em que o Morro da Serrinha se encontra.
O morro é uma área pública destinada a ser um parque, de acordo com o plano original de Goiânia, de autoria do estimado urbanista Attilio Corrêa Lima. Segundo historiadores, o então governador do estado e fundador de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira, vislumbrou lá de cima, montado em seu cavalo, onde seria erguida a nova capital de Goiás. Atualmente, a área em questão é uma APP (área de proteção permanente) que deveria ser de propriedade do município de Goiânia, mas hoje possui muitos “donos”, sendo um deles o Estado de Goiás, o qual adquiriu “uma parte” do morro durante as negociações para a instalação sem sucesso do comentado Teleporto.
Hoje, o topo do morro sofre com as instalações de torres de telefonia e de um reservatório d’água, e seus arredores ultimamente só estão servindo para que parte da população local jogue seu lixo, retire parte do seu solo, provoquem queimadas, derrubem árvores e arbustos nativos do cerrado com a finalidade de fazer lenha, além de praticarem alguns delitos, como uso e venda de entorpecentes.
Além da péssima iluminação ao seu redor, o local se transformou num verdadeiro ponto sem total segurança para a população vizinha e para as pessoas que frequentemente se encontram ali para suas celebrações religiosas ou para esporádicas prática de esportes, como o montanhismo e mountain biking.
Portanto, é de fácil compreensão do por que tanto a família de Pedro Ludovico, quanto autoridades políticas, historiadores e ambientalistas refutam e não concordam com a decisão da secretária da AGEPEL, Linda Monteiro, em instalar o grandioso monumento em homenagem ao Pedro Ludovico Teixeira no Morro da Serrinha.
Para os familiares do ex-governador, políticos e historiadores, o morro, na situação em que se encontra hoje, não é nem de longe o local ideal para tamanha homenagem, onde ela certamente sofreria futuramente com descaso, abandono e depredações. Muitos defendem a construção de um memorial, assim como o que foi feito para JK em Brasília, ou que pelo menos a estátua seja alocada onde Pedro Ludovico comandou Goiás: a Praça Cívica, a qual leva o seu nome. Ou seja, num local onde a estátua pode ser mais bem vista e preservada.
Já os ambientalistas desejam que a Serrinha seja transformada em parque o mais rápido possível, que todas as construções humanas no local sejam retiradas do local e que seja feita a recuperação vegetal desse resquício de cerrado perdido em meio a uma área altamente urbanizada de Goiânia.
Mas com a decisão quase que irrevogável da inacessível secretária Linda Monteiro, a partir da qual já está até aberta a licitação para a construção do local para receber a estátua, toda a população de Goiânia se sente de certa forma impotente quanto à possibilidade de escolha de um local para o monumento. Onde exatamente vai ser colocada a estátua? Que tipo de estrutura será criado? Qual será o impacto ambiental? Vai ser mesmo criado um parque no morro? E qual será o tamanho desse parque? Vai ser justa a homenagem ao fundador da capital? Vale ressaltar que uma enquete realizada pelo jornal Diário da Manhã em janeiro de 2009 mostrou que 83% dos 47 leitores entrevistados preferem a instalação do monumento de Pedro Ludovico na Praça Cívica, e não no Morro da Serrinha.
Em suma, sou contra qualquer tipo de impacto ambiental que possa ser causado ao Morro da Serrinha e prezo pela rápida criação de um parque no local e retirada de todas as instalações prediais existentes. Quanto à estátua, defendo que seja colocada em um local bem visto, como a Praça Cívica, ou que seja criado um memorial para Pedro Ludovico em outro local, que não seja o morro, visto sua situação degradante atual.
João Paulo Antunes da Silva - Presidente da Associação dos Amigos do Morro da Serrinha, graduado em Ciências Biológicas (UEG), pós-graduado lato sensu em Perícia Ambiental (PUC-GO), professor de Educação Ambiental e de Ecologia e Meio Ambiente da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).
Marcadores:
estátua,
morro,
Parque,
Pedro Ludovico,
Praça Cívica,
Serrinha
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Praça Cívica vai receber a estátua de Pedro Ludovico
Previsão é de que o monumento seja inaugurado no aniversário de Goiânia
Adérito Schneider
da editoria do DMRevista
Diário da Manhã
Cidades, p. 7
16 de julho de 2010
Depois de 19 anos, finalmente será instalado na Praça Cívica o monumento “Resgate à memória”, que homenageia Pedro Ludovico Teixeira. A estátua do fundador de Goiânia montado a cavalo será fixada ao lado do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, de frente para o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A obra deve ser inaugurada em 24 de outubro deste ano, aniversário de 77 anos da Capital.
O projeto está em andamento desde 10 de junho de 1991, quando a artista Neuza Moraes encaminhou um ofício ao então secretário municipal de Cultura, José Mendonça Teles, propondo a criação da estátua. A construção foi aprovada pela prefeitura, mas ficou sem recursos para conclusão. Assim, a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel) interveio, custeando o término do momumento.
O local de instalação da obra causou divergências entre representantes dos governos municipal e estadual e da classe artística. A Agepel chegou a abrir na terça-feira (13) o processo de licitação para construção da base da escultura, até então prevista para o morro da Serrinha. No entanto, após mobilização da classe artística e transferência do local para a Praça Cívica, a Agepel não informou se será mantido o mesmo processo licitatório.
A estátua tem sete metros de altura, três de comprimento e 1,8 de largura. A peça é banhada em bronze e pesa cerca de duas toneladas e meia. Atualmente, a obra está armazenada no depósito da empresa que fez seu revestimento em metal, em Piracicaba (SP), e deve ser transportada para Goiânia em até 20 dias. O valor total do projeto, que se estende por quase duas décadas, não foi informado pela Agepel.
Artigo de Opinião
Pedro Ludovico e seu cavalo.
Por Deolinda Taveira*
Neusa, sob encomenda da Prefeitura de Goiânia realizou a obra de sua vida, uma escultura eqüestre, representando Pedro Ludovico em seu cavalo no momento que buscava (teoricamente) área para construir a nova Capital. Da Prefeitura de Goiânia levou o maior calote, durante anos passou a vergonha de implorar por ajuda para terminar a obra e finalmente, o Governo do Estado, através da AGEPEL, após a morte da escultora assumiu a dívida com a fundição. Era um desejo dela que o bronze fosse de ótima qualidade. Paga a fundição e a obra pronta para voltar à Goiânia, a AGEPEL apresenta uma proposta de fazer a instalação da obra no morro do Serrinha – um paliteiro de antenas -, pois historicamente, foi nesse morro que Pedro Ludovico teve uma visão geral da área escolhida para instalar a nova Capital.
Depois de tantos anos de idas e vindas, ou melhor, de miséria para a autora da obra e de descaso com a própria obra, finalmente, uma luz no fim do túnel, a licitação para a feitura do pedestal e instalação da escultura, porte monumental, no morro do Serrinha. E eis que recomeçam os discursos dos contra e dos a favor, neste caso, nem estou contra e nem a favor, em especial que acredito que representar Pedro Ludovico a cavalo é desmerecer o homem contemporâneo, urbano até o ultimo fio de cabelo e o seu terno de linho branco, todo estiloso!
No inicio de 2009 , segundo os jornais locais, 3 mil pessoas se reuniram para um abraço no Serrinha e defendiam a implantação de um parque ecológico, e aparentemente, o maior impedimento era o fato da área pertencer ao Estado e não a Prefeitura. Não me recordo em que época li no DM, salvo engano, um artigo assinado por Osmar Pires, professor e primeiro e efetivo secretário de Meio Ambiente de Goiânia, defendendo a instalação de um parque naquela área e com destaque, a colocação da escultura de Neusa Moraes, até mesmo por que tanto a autora quanto o representado careciam das homenagens! Em 2010, um pastor, a despeito da origem “alienígena”, em seu favor há que se dizer que em várias ocasiões promoveu ações a favor do patrimônio cultural goianiense e em outras, como no caso da escultura do Bandeirantes o linchamento de símbolos, faz aprovar na Câmara Municipal, sem consulta popular, uma lei que obriga a instalação da escultura eqüestre de Pedro Ludovico na Praça Cívica.
Acredito que está faltando um pouco de bom senso nessa polêmica, pois como é possível, um defensor do patrimônio cultural goianiense, fazer votar uma Lei que obriga uma praça já saturada, que já não cumpre a função idealizada pelo autor do projeto Attílio Correa Lima e também pelo fundador da cidade Pedro Ludovico, que seria a função de centro cívico, a dar abrigo a mais um objeto estranho a mesma. E a pensar que a Praça Cívica é um bem cultural com tombamento federal, estadual e municipal. Ou será que o autor do projeto desconhece que a praça é totalmente ocupada, diariamente, como estacionamento? Não desempenha o papel de espaço de convivência e manifestações cívicas e nem é preciso recordar que já houve o primeiro erro, com a retirada do obelisco central, para fazer ali, a instalação do Monumento as Três Raças. E o segundo com a permissão para esse tipo de ocupação (estacionamento).
E como se não bastasse, agora vão colocar o cavalo lá? Uma escultura gigantesca, que precisa de espaço para ser vista e apreciada. Inserida no cantinho da Praça, bem defronte a uma das fontes que foram desativadas, por absoluta falta de manutenção, e que serve de dormitório a moradores de rua , quem vai ver? E quantos anos levará para a Prefeitura retirar o velho barracão do local? E as velhas árvores que com certeza serão mortas para deixar pastar o cavalo de bronze ?
É lamentável, do mesmo modo que a Rua 20 desapareceu na sua configuração original e a arquitetura modernista que vem sendo demolida sistematicamente, tida com sem valor, diante da imponência simplista da art déco goianiense. O que na verdade representa, em uma visão bem singela, que a estética do belo, que pautou a construção de Goiânia, deixou espaço para a ausência total de estética, de identidade. Observem a nova arquitetura local, onde foi parar o belo, os detalhes, as diferenças, a estética???
Mas uma vez, assistiremos estupefatos, sendo colocado o cavalo na Praça, a essa ausência de senso estético, que se vangloria de instalar “palitos luzidios ” em viadutos e que a mídia local, acrítica, adota como símbolo de modernidade, e nem preciso comentar da humilhação e a vergonha (diante de tanto provincianismo) de Pedro Ludovico, montado em seu cavalo, disputando o espaço e a visibilidade com um estacionamento de carros ou barracas natalinas, ou feiras.
Por que será que o Monumento do Ipiranga (SP) é tão espetacular? Por que, dentro outros motivos, pode ser visto em uma Praça aberta.
A Praça Cívica é do povo, é a Praça das manifestações cívicas.
Que Pedro Ludovico, do alto do Serrinha continue a apreciar a cidade que criou, e que veja como ela se perdeu, em engarrafamentos e se expandiu, muito mais do que sonhou, e aproveitando a sua presença no local, que seja realidade um Parque Ecológico temático. Goiânia não é mais só o centro – abandonado por sinal – mas, gigantesca, esparramada, derramada, viva. Vamos respeitar a obra de Neusa, que muito sofreu para realizá-la e a memória de um homem que estava além do seu tempo, um homem contemporâneo.
*Deolinda Taveira é Conservadora Restauradora de Bens Culturais e publica o blog “AMIGOS DOS MUSEUS “
http://amigosdemuseu.blogspot.com
Artigo de Opinião
A estátua de Pedro Ludovico
Por João Neder*
Diário da Manhã
14 de julho de 2010
Está se transformando em polêmica o lugar adequado para a colocação de estátua de Pedro Ludovico Teixeira, montado num corcel, como idealizado pela autora da escultura, sendo que a Agepel, quer colocar a estátua no morro da Serrinha, lugar que não tem chamativo turístico, como esclareceu o Bariani Ortêncio, do alto da sua indiscutível opinião, mas ofereceu a sugestão de que Pedro montado a cavalo seja colocado na frente do antigo Centro Administrativo, hoje Palácio Pedro Ludovico Teixeira, numa área que bem caberia o monumento, ligando o homenageado ao Palácio que leva seu nome, no dizer de Bariani, estaria “em casa”.
Do meu modo de ver, lá vai minha opinião, o monumento ao fundador de Goiânia deveria ser posto na confluência das avenidas Goiás e Anhanguera, no local onde está a Estátua do Bandeirante, porque nada tem a ver com Goiânia e, com Goiás, ao que se sabe, os tais bandeirantes aqui vieram para matar índios, estuprar índias, rapar ouro e esmeraldas das terras goianas, enquanto a homenagem que os goianos e todos os brasileiros que vivem em Goiás deverá ser vista diariamente, irradiando o idealismo, a honestidade e a firmeza de caráter de Pedro Ludovico que, a bem dizer, com a construção de Goiânia fez não apenas um cidade, mas tornou em pedra e cal, asfalto e coragem cívica, a Marcha Para o Oeste, para que os brasileiros não vivessem como os camarões na beira das praias e para integrar terras cultiváveis e os mananciais de água como os rios Araguaia e Tocantins fossem auxiliares do grande desenvolvimento de Goiás; abrindo para o Brasil e para o mundo as fontes termais de Caldas Novas, fazendo de Goiás, como disse o saudoso Adory Otoniel da Cunha, não apenas um Estado, mas uma nova fronteira humana.
Penso que pelo tamanho insignificante da minha opinião, o tal bandeirante armado de mosquetão, símbolo da violência e da força bruta contra os mais fracos, irá continuar olhando para o Oeste, sem nunca ter feito um arraial sequer, não podendo ser medido nem comparado ao cidadão Pedro Ludovico, o Construtor de Goiânia.
Em todo caso, se a ideia do Bariani Ortêncio for acatada, que se faça um acréscimo ao monumento, colocando na mão direita do Pedro Ludovico uma chibata, com três guisos na ponta, para espantar os malandros da política e, se for necessário, deitar a chibata no lombo dos corruptos.
*João Neder é jornalista, advogado criminalista, promotor de Justiça aposentado e escritor
Adérito Schneider
da editoria do DMRevista
Diário da Manhã
Cidades, p. 7
16 de julho de 2010
Depois de 19 anos, finalmente será instalado na Praça Cívica o monumento “Resgate à memória”, que homenageia Pedro Ludovico Teixeira. A estátua do fundador de Goiânia montado a cavalo será fixada ao lado do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, de frente para o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A obra deve ser inaugurada em 24 de outubro deste ano, aniversário de 77 anos da Capital.
O projeto está em andamento desde 10 de junho de 1991, quando a artista Neuza Moraes encaminhou um ofício ao então secretário municipal de Cultura, José Mendonça Teles, propondo a criação da estátua. A construção foi aprovada pela prefeitura, mas ficou sem recursos para conclusão. Assim, a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel) interveio, custeando o término do momumento.
O local de instalação da obra causou divergências entre representantes dos governos municipal e estadual e da classe artística. A Agepel chegou a abrir na terça-feira (13) o processo de licitação para construção da base da escultura, até então prevista para o morro da Serrinha. No entanto, após mobilização da classe artística e transferência do local para a Praça Cívica, a Agepel não informou se será mantido o mesmo processo licitatório.
A estátua tem sete metros de altura, três de comprimento e 1,8 de largura. A peça é banhada em bronze e pesa cerca de duas toneladas e meia. Atualmente, a obra está armazenada no depósito da empresa que fez seu revestimento em metal, em Piracicaba (SP), e deve ser transportada para Goiânia em até 20 dias. O valor total do projeto, que se estende por quase duas décadas, não foi informado pela Agepel.
Artigo de Opinião
Pedro Ludovico e seu cavalo.
Por Deolinda Taveira*
Neusa, sob encomenda da Prefeitura de Goiânia realizou a obra de sua vida, uma escultura eqüestre, representando Pedro Ludovico em seu cavalo no momento que buscava (teoricamente) área para construir a nova Capital. Da Prefeitura de Goiânia levou o maior calote, durante anos passou a vergonha de implorar por ajuda para terminar a obra e finalmente, o Governo do Estado, através da AGEPEL, após a morte da escultora assumiu a dívida com a fundição. Era um desejo dela que o bronze fosse de ótima qualidade. Paga a fundição e a obra pronta para voltar à Goiânia, a AGEPEL apresenta uma proposta de fazer a instalação da obra no morro do Serrinha – um paliteiro de antenas -, pois historicamente, foi nesse morro que Pedro Ludovico teve uma visão geral da área escolhida para instalar a nova Capital.
Depois de tantos anos de idas e vindas, ou melhor, de miséria para a autora da obra e de descaso com a própria obra, finalmente, uma luz no fim do túnel, a licitação para a feitura do pedestal e instalação da escultura, porte monumental, no morro do Serrinha. E eis que recomeçam os discursos dos contra e dos a favor, neste caso, nem estou contra e nem a favor, em especial que acredito que representar Pedro Ludovico a cavalo é desmerecer o homem contemporâneo, urbano até o ultimo fio de cabelo e o seu terno de linho branco, todo estiloso!
No inicio de 2009 , segundo os jornais locais, 3 mil pessoas se reuniram para um abraço no Serrinha e defendiam a implantação de um parque ecológico, e aparentemente, o maior impedimento era o fato da área pertencer ao Estado e não a Prefeitura. Não me recordo em que época li no DM, salvo engano, um artigo assinado por Osmar Pires, professor e primeiro e efetivo secretário de Meio Ambiente de Goiânia, defendendo a instalação de um parque naquela área e com destaque, a colocação da escultura de Neusa Moraes, até mesmo por que tanto a autora quanto o representado careciam das homenagens! Em 2010, um pastor, a despeito da origem “alienígena”, em seu favor há que se dizer que em várias ocasiões promoveu ações a favor do patrimônio cultural goianiense e em outras, como no caso da escultura do Bandeirantes o linchamento de símbolos, faz aprovar na Câmara Municipal, sem consulta popular, uma lei que obriga a instalação da escultura eqüestre de Pedro Ludovico na Praça Cívica.
Acredito que está faltando um pouco de bom senso nessa polêmica, pois como é possível, um defensor do patrimônio cultural goianiense, fazer votar uma Lei que obriga uma praça já saturada, que já não cumpre a função idealizada pelo autor do projeto Attílio Correa Lima e também pelo fundador da cidade Pedro Ludovico, que seria a função de centro cívico, a dar abrigo a mais um objeto estranho a mesma. E a pensar que a Praça Cívica é um bem cultural com tombamento federal, estadual e municipal. Ou será que o autor do projeto desconhece que a praça é totalmente ocupada, diariamente, como estacionamento? Não desempenha o papel de espaço de convivência e manifestações cívicas e nem é preciso recordar que já houve o primeiro erro, com a retirada do obelisco central, para fazer ali, a instalação do Monumento as Três Raças. E o segundo com a permissão para esse tipo de ocupação (estacionamento).
E como se não bastasse, agora vão colocar o cavalo lá? Uma escultura gigantesca, que precisa de espaço para ser vista e apreciada. Inserida no cantinho da Praça, bem defronte a uma das fontes que foram desativadas, por absoluta falta de manutenção, e que serve de dormitório a moradores de rua , quem vai ver? E quantos anos levará para a Prefeitura retirar o velho barracão do local? E as velhas árvores que com certeza serão mortas para deixar pastar o cavalo de bronze ?
É lamentável, do mesmo modo que a Rua 20 desapareceu na sua configuração original e a arquitetura modernista que vem sendo demolida sistematicamente, tida com sem valor, diante da imponência simplista da art déco goianiense. O que na verdade representa, em uma visão bem singela, que a estética do belo, que pautou a construção de Goiânia, deixou espaço para a ausência total de estética, de identidade. Observem a nova arquitetura local, onde foi parar o belo, os detalhes, as diferenças, a estética???
Mas uma vez, assistiremos estupefatos, sendo colocado o cavalo na Praça, a essa ausência de senso estético, que se vangloria de instalar “palitos luzidios ” em viadutos e que a mídia local, acrítica, adota como símbolo de modernidade, e nem preciso comentar da humilhação e a vergonha (diante de tanto provincianismo) de Pedro Ludovico, montado em seu cavalo, disputando o espaço e a visibilidade com um estacionamento de carros ou barracas natalinas, ou feiras.
Por que será que o Monumento do Ipiranga (SP) é tão espetacular? Por que, dentro outros motivos, pode ser visto em uma Praça aberta.
A Praça Cívica é do povo, é a Praça das manifestações cívicas.
Que Pedro Ludovico, do alto do Serrinha continue a apreciar a cidade que criou, e que veja como ela se perdeu, em engarrafamentos e se expandiu, muito mais do que sonhou, e aproveitando a sua presença no local, que seja realidade um Parque Ecológico temático. Goiânia não é mais só o centro – abandonado por sinal – mas, gigantesca, esparramada, derramada, viva. Vamos respeitar a obra de Neusa, que muito sofreu para realizá-la e a memória de um homem que estava além do seu tempo, um homem contemporâneo.
*Deolinda Taveira é Conservadora Restauradora de Bens Culturais e publica o blog “AMIGOS DOS MUSEUS “
http://amigosdemuseu.blogspot.com
Artigo de Opinião
A estátua de Pedro Ludovico
Por João Neder*
Diário da Manhã
14 de julho de 2010
Está se transformando em polêmica o lugar adequado para a colocação de estátua de Pedro Ludovico Teixeira, montado num corcel, como idealizado pela autora da escultura, sendo que a Agepel, quer colocar a estátua no morro da Serrinha, lugar que não tem chamativo turístico, como esclareceu o Bariani Ortêncio, do alto da sua indiscutível opinião, mas ofereceu a sugestão de que Pedro montado a cavalo seja colocado na frente do antigo Centro Administrativo, hoje Palácio Pedro Ludovico Teixeira, numa área que bem caberia o monumento, ligando o homenageado ao Palácio que leva seu nome, no dizer de Bariani, estaria “em casa”.
Do meu modo de ver, lá vai minha opinião, o monumento ao fundador de Goiânia deveria ser posto na confluência das avenidas Goiás e Anhanguera, no local onde está a Estátua do Bandeirante, porque nada tem a ver com Goiânia e, com Goiás, ao que se sabe, os tais bandeirantes aqui vieram para matar índios, estuprar índias, rapar ouro e esmeraldas das terras goianas, enquanto a homenagem que os goianos e todos os brasileiros que vivem em Goiás deverá ser vista diariamente, irradiando o idealismo, a honestidade e a firmeza de caráter de Pedro Ludovico que, a bem dizer, com a construção de Goiânia fez não apenas um cidade, mas tornou em pedra e cal, asfalto e coragem cívica, a Marcha Para o Oeste, para que os brasileiros não vivessem como os camarões na beira das praias e para integrar terras cultiváveis e os mananciais de água como os rios Araguaia e Tocantins fossem auxiliares do grande desenvolvimento de Goiás; abrindo para o Brasil e para o mundo as fontes termais de Caldas Novas, fazendo de Goiás, como disse o saudoso Adory Otoniel da Cunha, não apenas um Estado, mas uma nova fronteira humana.
Penso que pelo tamanho insignificante da minha opinião, o tal bandeirante armado de mosquetão, símbolo da violência e da força bruta contra os mais fracos, irá continuar olhando para o Oeste, sem nunca ter feito um arraial sequer, não podendo ser medido nem comparado ao cidadão Pedro Ludovico, o Construtor de Goiânia.
Em todo caso, se a ideia do Bariani Ortêncio for acatada, que se faça um acréscimo ao monumento, colocando na mão direita do Pedro Ludovico uma chibata, com três guisos na ponta, para espantar os malandros da política e, se for necessário, deitar a chibata no lombo dos corruptos.
*João Neder é jornalista, advogado criminalista, promotor de Justiça aposentado e escritor
Marcadores:
Deolinda Taveira,
estátua,
João Neder,
morro,
Pedro Ludovico,
Praça Cívica,
Serrinha
Assinar:
Postagens (Atom)