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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Estátua de Pedro e Morro da Serrinha: problemas diferentes que se misturaram

Contra o Impacto Anbiental e a favor de um Parque

Publicado no Clube de Notícias
Clube de Engenharia de Goiás
Junho de 2010, Ano XIV, nº 287
Páginas 18 e 19

Estamos enfrentando dois casos distintos, mas que acabaram por se misturar: fazer uma excelente homenagem a Pedro Ludovico Teixeira e a preservação e transformação do Morro da Serrinha num parque ambiental. Autoridades políticas, organizações não-governamentais e associações, como a Associação dos Amigos do Morro da Serrinha, já cansaram de delatar e registrar, em vários tipos de comunicação, o estado avançado de degradação ambiental em que o Morro da Serrinha se encontra.

O morro é uma área pública destinada a ser um parque, de acordo com o plano original de Goiânia, de autoria do estimado urbanista Attilio Corrêa Lima. Segundo historiadores, o então governador do estado e fundador de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira, vislumbrou lá de cima, montado em seu cavalo, onde seria erguida a nova capital de Goiás. Atualmente, a área em questão é uma APP (área de proteção permanente) que deveria ser de propriedade do município de Goiânia, mas hoje possui muitos “donos”, sendo um deles o Estado de Goiás, o qual adquiriu “uma parte” do morro durante as negociações para a instalação sem sucesso do comentado Teleporto.

Hoje, o topo do morro sofre com as instalações de torres de telefonia e de um reservatório d’água, e seus arredores ultimamente só estão servindo para que parte da população local jogue seu lixo, retire parte do seu solo, provoquem queimadas, derrubem árvores e arbustos nativos do cerrado com a finalidade de fazer lenha, além de praticarem alguns delitos, como uso e venda de entorpecentes.

Além da péssima iluminação ao seu redor, o local se transformou num verdadeiro ponto sem total segurança para a população vizinha e para as pessoas que frequentemente se encontram ali para suas celebrações religiosas ou para esporádicas prática de esportes, como o montanhismo e mountain biking.

Portanto, é de fácil compreensão do por que tanto a família de Pedro Ludovico, quanto autoridades políticas, historiadores e ambientalistas refutam e não concordam com a decisão da secretária da AGEPEL, Linda Monteiro, em instalar o grandioso monumento em homenagem ao Pedro Ludovico Teixeira no Morro da Serrinha.

Para os familiares do ex-governador, políticos e historiadores, o morro, na situação em que se encontra hoje, não é nem de longe o local ideal para tamanha homenagem, onde ela certamente sofreria futuramente com descaso, abandono e depredações. Muitos defendem a construção de um memorial, assim como o que foi feito para JK em Brasília, ou que pelo menos a estátua seja alocada onde Pedro Ludovico comandou Goiás: a Praça Cívica, a qual leva o seu nome. Ou seja, num local onde a estátua pode ser mais bem vista e preservada.

Já os ambientalistas desejam que a Serrinha seja transformada em parque o mais rápido possível, que todas as construções humanas no local sejam retiradas do local e que seja feita a recuperação vegetal desse resquício de cerrado perdido em meio a uma área altamente urbanizada de Goiânia.

Mas com a decisão quase que irrevogável da inacessível secretária Linda Monteiro, a partir da qual já está até aberta a licitação para a construção do local para receber a estátua, toda a população de Goiânia se sente de certa forma impotente quanto à possibilidade de escolha de um local para o monumento. Onde exatamente vai ser colocada a estátua? Que tipo de estrutura será criado? Qual será o impacto ambiental? Vai ser mesmo criado um parque no morro? E qual será o tamanho desse parque? Vai ser justa a homenagem ao fundador da capital? Vale ressaltar que uma enquete realizada pelo jornal Diário da Manhã em janeiro de 2009 mostrou que 83% dos 47 leitores entrevistados preferem a instalação do monumento de Pedro Ludovico na Praça Cívica, e não no Morro da Serrinha.

Em suma, sou contra qualquer tipo de impacto ambiental que possa ser causado ao Morro da Serrinha e prezo pela rápida criação de um parque no local e retirada de todas as instalações prediais existentes. Quanto à estátua, defendo que seja colocada em um local bem visto, como a Praça Cívica, ou que seja criado um memorial para Pedro Ludovico em outro local, que não seja o morro, visto sua situação degradante atual.


João Paulo Antunes da Silva - Presidente da Associação dos Amigos do Morro da Serrinha, graduado em Ciências Biológicas (UEG), pós-graduado lato sensu em Perícia Ambiental (PUC-GO), professor de Educação Ambiental e de Ecologia e Meio Ambiente da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Praça Cívica vai receber a estátua de Pedro Ludovico

Previsão é de que o monumento seja inaugurado no aniversário de Goiânia

Adérito Schneider
da editoria do DMRevista

Diário da Manhã
Cidades, p. 7
16 de julho de 2010


Depois de 19 anos, finalmente será instalado na Praça Cívica o monumento “Resgate à memória”, que homenageia Pedro Ludovico Teixeira. A estátua do fundador de Goiânia montado a cavalo será fixada ao lado do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, de frente para o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A obra deve ser inaugurada em 24 de outubro deste ano, aniversário de 77 anos da Capital.

O projeto está em andamento desde 10 de junho de 1991, quando a artista Neuza Moraes encaminhou um ofício ao então secretário municipal de Cultura, José Mendonça Teles, propondo a criação da estátua. A construção foi aprovada pela prefeitura, mas ficou sem recursos para conclusão. Assim, a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel) interveio, custeando o término do momumento.

O local de instalação da obra causou divergências entre representantes dos governos municipal e estadual e da classe artística. A Agepel chegou a abrir na terça-feira (13) o processo de licitação para construção da base da escultura, até então prevista para o morro da Serrinha. No entanto, após mobilização da classe artística e transferência do local para a Praça Cívica, a Agepel não informou se será mantido o mesmo processo licitatório.

A estátua tem sete metros de altura, três de comprimento e 1,8 de largura. A peça é banhada em bronze e pesa cerca de duas toneladas e meia. Atualmente, a obra está armazenada no depósito da empresa que fez seu revestimento em metal, em Piracicaba (SP), e deve ser transportada para Goiânia em até 20 dias. O valor total do projeto, que se estende por quase duas décadas, não foi informado pela Agepel.



Artigo de Opinião



Pedro Ludovico e seu cavalo.

Por Deolinda Taveira*


Neusa, sob encomenda da Prefeitura de Goiânia realizou a obra de sua vida, uma escultura eqüestre, representando Pedro Ludovico em seu cavalo no momento que buscava (teoricamente) área para construir a nova Capital. Da Prefeitura de Goiânia levou o maior calote, durante anos passou a vergonha de implorar por ajuda para terminar a obra e finalmente, o Governo do Estado, através da AGEPEL, após a morte da escultora assumiu a dívida com a fundição. Era um desejo dela que o bronze fosse de ótima qualidade. Paga a fundição e a obra pronta para voltar à Goiânia, a AGEPEL apresenta uma proposta de fazer a instalação da obra no morro do Serrinha – um paliteiro de antenas -, pois historicamente, foi nesse morro que Pedro Ludovico teve uma visão geral da área escolhida para instalar a nova Capital.

Depois de tantos anos de idas e vindas, ou melhor, de miséria para a autora da obra e de descaso com a própria obra, finalmente, uma luz no fim do túnel, a licitação para a feitura do pedestal e instalação da escultura, porte monumental, no morro do Serrinha. E eis que recomeçam os discursos dos contra e dos a favor, neste caso, nem estou contra e nem a favor, em especial que acredito que representar Pedro Ludovico a cavalo é desmerecer o homem contemporâneo, urbano até o ultimo fio de cabelo e o seu terno de linho branco, todo estiloso!

No inicio de 2009 , segundo os jornais locais, 3 mil pessoas se reuniram para um abraço no Serrinha e defendiam a implantação de um parque ecológico, e aparentemente, o maior impedimento era o fato da área pertencer ao Estado e não a Prefeitura. Não me recordo em que época li no DM, salvo engano, um artigo assinado por Osmar Pires, professor e primeiro e efetivo secretário de Meio Ambiente de Goiânia, defendendo a instalação de um parque naquela área e com destaque, a colocação da escultura de Neusa Moraes, até mesmo por que tanto a autora quanto o representado careciam das homenagens! Em 2010, um pastor, a despeito da origem “alienígena”, em seu favor há que se dizer que em várias ocasiões promoveu ações a favor do patrimônio cultural goianiense e em outras, como no caso da escultura do Bandeirantes o linchamento de símbolos, faz aprovar na Câmara Municipal, sem consulta popular, uma lei que obriga a instalação da escultura eqüestre de Pedro Ludovico na Praça Cívica.

Acredito que está faltando um pouco de bom senso nessa polêmica, pois como é possível, um defensor do patrimônio cultural goianiense, fazer votar uma Lei que obriga uma praça já saturada, que já não cumpre a função idealizada pelo autor do projeto Attílio Correa Lima e também pelo fundador da cidade Pedro Ludovico, que seria a função de centro cívico, a dar abrigo a mais um objeto estranho a mesma. E a pensar que a Praça Cívica é um bem cultural com tombamento federal, estadual e municipal. Ou será que o autor do projeto desconhece que a praça é totalmente ocupada, diariamente, como estacionamento? Não desempenha o papel de espaço de convivência e manifestações cívicas e nem é preciso recordar que já houve o primeiro erro, com a retirada do obelisco central, para fazer ali, a instalação do Monumento as Três Raças. E o segundo com a permissão para esse tipo de ocupação (estacionamento).

E como se não bastasse, agora vão colocar o cavalo lá? Uma escultura gigantesca, que precisa de espaço para ser vista e apreciada. Inserida no cantinho da Praça, bem defronte a uma das fontes que foram desativadas, por absoluta falta de manutenção, e que serve de dormitório a moradores de rua , quem vai ver? E quantos anos levará para a Prefeitura retirar o velho barracão do local? E as velhas árvores que com certeza serão mortas para deixar pastar o cavalo de bronze ?

É lamentável, do mesmo modo que a Rua 20 desapareceu na sua configuração original e a arquitetura modernista que vem sendo demolida sistematicamente, tida com sem valor, diante da imponência simplista da art déco goianiense. O que na verdade representa, em uma visão bem singela, que a estética do belo, que pautou a construção de Goiânia, deixou espaço para a ausência total de estética, de identidade. Observem a nova arquitetura local, onde foi parar o belo, os detalhes, as diferenças, a estética???

Mas uma vez, assistiremos estupefatos, sendo colocado o cavalo na Praça, a essa ausência de senso estético, que se vangloria de instalar “palitos luzidios ” em viadutos e que a mídia local, acrítica, adota como símbolo de modernidade, e nem preciso comentar da humilhação e a vergonha (diante de tanto provincianismo) de Pedro Ludovico, montado em seu cavalo, disputando o espaço e a visibilidade com um estacionamento de carros ou barracas natalinas, ou feiras.

Por que será que o Monumento do Ipiranga (SP) é tão espetacular? Por que, dentro outros motivos, pode ser visto em uma Praça aberta.

A Praça Cívica é do povo, é a Praça das manifestações cívicas.

Que Pedro Ludovico, do alto do Serrinha continue a apreciar a cidade que criou, e que veja como ela se perdeu, em engarrafamentos e se expandiu, muito mais do que sonhou, e aproveitando a sua presença no local, que seja realidade um Parque Ecológico temático. Goiânia não é mais só o centro – abandonado por sinal – mas, gigantesca, esparramada, derramada, viva. Vamos respeitar a obra de Neusa, que muito sofreu para realizá-la e a memória de um homem que estava além do seu tempo, um homem contemporâneo.

*Deolinda Taveira é Conservadora Restauradora de Bens Culturais e publica o blog “AMIGOS DOS MUSEUS “
http://amigosdemuseu.blogspot.com



Artigo de Opinião


A estátua de Pedro Ludovico

Por João Neder*

Diário da Manhã
14 de julho de 2010


Está se transformando em polêmica o lugar adequado para a colocação de estátua de Pedro Ludovico Teixeira, montado num corcel, como idealizado pela autora da escultura, sendo que a Agepel, quer colocar a estátua no morro da Serrinha, lugar que não tem chamativo turístico, como esclareceu o Bariani Ortêncio, do alto da sua indiscutível opinião, mas ofereceu a sugestão de que Pedro montado a cavalo seja colocado na frente do antigo Centro Administrativo, hoje Palácio Pedro Ludovico Teixeira, numa área que bem caberia o monumento, ligando o homenageado ao Palácio que leva seu nome, no dizer de Bariani, estaria “em casa”.

Do meu modo de ver, lá vai minha opinião, o monumento ao fundador de Goiânia deveria ser posto na confluência das avenidas Goiás e Anhanguera, no local onde está a Estátua do Bandeirante, porque nada tem a ver com Goiânia e, com Goiás, ao que se sabe, os tais bandeirantes aqui vieram para matar índios, estuprar índias, rapar ouro e esmeraldas das terras goianas, enquanto a homenagem que os goianos e todos os brasileiros que vivem em Goiás deverá ser vista diariamente, irradiando o idealismo, a honestidade e a firmeza de caráter de Pedro Ludovico que, a bem dizer, com a construção de Goiânia fez não apenas um cidade, mas tornou em pedra e cal, asfalto e coragem cívica, a Marcha Para o Oeste, para que os brasileiros não vivessem como os camarões na beira das praias e para integrar terras cultiváveis e os mananciais de água como os rios Araguaia e Tocantins fossem auxiliares do grande desenvolvimento de Goiás; abrindo para o Brasil e para o mundo as fontes termais de Caldas Novas, fazendo de Goiás, como disse o saudoso Adory Otoniel da Cunha, não apenas um Estado, mas uma nova fronteira humana.

Penso que pelo tamanho insignificante da minha opinião, o tal bandeirante armado de mosquetão, símbolo da violência e da força bruta contra os mais fracos, irá continuar olhando para o Oeste, sem nunca ter feito um arraial sequer, não podendo ser medido nem comparado ao cidadão Pedro Ludovico, o Construtor de Goiânia.

Em todo caso, se a ideia do Bariani Ortêncio for acatada, que se faça um acréscimo ao monumento, colocando na mão direita do Pedro Ludovico uma chibata, com três guisos na ponta, para espantar os malandros da política e, se for necessário, deitar a chibata no lombo dos corruptos.


*João Neder é jornalista, advogado criminalista, promotor de Justiça aposentado e escritor

terça-feira, 6 de julho de 2010

Estátua de Pedro e o respeito à Câmara Municipal

Diário da Manhã
Opinião, p. 05
06 de julho de 2010


Não é conveniente nem salutar ao Estado democrático de Direito a tentativa da senhora presidenta da Agepel, de atropelar e desrespeitar uma soberana, legítima e unânime decisão da Câmara Municipal de Goiânia, ao aprovar um projeto de lei de nossa autoria, pela instalação na Praça Dr. Pedro Ludovico Teixeira (Praça Cívica) do monumento “Resgate à Memória”, esculpido pela artista plástica Neuza Moraes.

O órgão cultural do Estado não pode afrontar uma deliberação do município, a quem compete, por delegação constitucional, a atribuição de normatizar, disciplinar e fiscalizar o bem-estar público, o patrimônio histórico, as áreas de preservação permanente, os mananciais hídricos, a ocupação e uso do solo, a localização e o funcionamento de todo tipo de estabelecimento e empreendimento.

Portanto, a legalidade, a razão, o bom senso e o espírito democrático devem imperar no tocante a essa matéria. Esperamos que a presidenta da Agepel repense a sua posição. Afinal, numa decisão bem fundamentada, racional, consciente, legal e legítima, a Câmara Municipal definiu que a Praça Dr. Pedro Ludovico Teixeira (Praça Cívica) é o local onde deverá ser instalado o monumento.

Estão cobertos de razão, o jornalista Batista Custódio, editor-geral do Diário da Manhã, os escritores José Mendonça Teles e Ubirajara Galli, a ONG Guerreiros da Natureza e o Poder Legislativo de Goiânia. Lá é o lugar ideal para a colocação dessa obra genial – o segundo maior monumento individual do Brasil -, composta de estátua e cavalo, medindo 7 (sete) metros de altura por 3 (três) metros de cumprimento, 1,8 (um metro e oitenta centímetros) de largura e 2,5 (duas e meia) toneladas de peso, homenageando o médico, interventor, governador e fundador, Dr. Pedro Ludovico (23 de outubro de 1891 - 15 de agosto de 1979).

Aquela praça é a principal referência da cidade. Os moradores e turistas terão facilidade para visitar o monumento, que substituirá o anacrônico “barracão” (antiga construção onde funcionava o gabinete do prefeito). A escultura comporá um conjunto arquitetônico magnífico e sincronizado com os vizinhos, Palácio das Esmeraldas, prédios do antigo Fórum e Tribunal de Justiça, o Museu Zoroastro Artiaga (todos em estilo art déco), Monumento às Três Raças, Coreto, Relógio e Obelisque.

É inconveniente a sua instalação no Morro da Serrinha, que é uma área de preservação permanente, vítima do descaso, da incompetência, da omissão, da falta de consciência ecológica e de planejamento com foco na questão ambiental. O planejamento urbano da cidade foi realizado sem que houvesse um planejamento da drenagem urbana, da ocupação racional do solo e sem a destinação responsável dos espaços públicos.

O morro sofreu acentuada degradação e ação antrópica (fogo, retirada de árvores para instalação de obras e sua substituição por espécies invasoras), foi transformado em depósito de lixo e entulho, e está repleto de construções e ocupações irregulares. Muitas faixas do solo, inclusive, encontram-se flagrantemente expostas, sangradas e erodidas, em virtude da criminosa retirada de vegetação.

Predominam no Morro da Serrinha, solo do tipo neossolo litólico, nas partes mais acidentadas, e cambissolos nas áreas mais planas, tanto no topo quanto na base. Há grande quantidade de afloramentos rochosos com predominância de quartzitos. Essa presença de solos rasos naquela área de relevo contribui para aumentar o escoamento superficial, tanto que após a ocorrência de precipitação, as ruas do entorno do morro ficam cobertas por sedimentos levados por ele.

Situado na divisa dos setores Pedro Ludovico e Serrinha, o Morro da Serrinha possui uma área de 12,31 hectares (120.310,00 metros quadrados). Apresenta altitude, no local mais elevado, de 891 metros. O seu topo é ocupado por torres e antenas, desde 1969. Lá existem uma repetidora da Embratel, reservatório da Saneago com capacidade para 10 mil metros cúbicos e uma estação de rádio da Oi (ex-Brasil Telecom).
É a única área em Goiânia que possui vegetação característica de Cerrado. Constitui-se na última reserva desse bioma em nossa capital. Apresenta flora característica com espécies nativas e originárias da fundação da cidade, como: jatobá do cerrado, mangaba, tiborna, pau santo e pau terra.

Pertence a uma unidade geomorfológica chamada de Planalto Embutido de Goiânia com forma convexa do gradiente das vertentes, assentando-se num maciço de rocha subjacente desse planalto, de onde emerge para alcançar a cota mais elevada da capital. Possui uma importância ambiental fundamental para Goiânia, por se tratar de área de recarga de aquífero.

Posiciona-se numa situação de interflúvio, divisor de águas entre as sub-bacias do Ribeirão Anicuns e o Córrego Santo Antônio, ambos tributários pela margem direita do Meia Ponte. Ele é responsável pela captação da água da chuva, permitindo que essa água penetre nas camadas mais profundas até se encontrar e abastecer o lençol freático e o aquífero. Essa recarga é responsável pelo abastecimento e manutenção das nascentes dos córregos daquela região, como o Córrego do Botafogo.

Estamos nos referindo ao mais significativo patrimônio histórico, cultural e ambiental de Goiânia que, porém, encontra-se em estado de total e irresponsável abandono. No plano original da cidade, o arquiteto-urbanista-paisagística, Attilio Correia Lima preconizava a conservação do Morro da Serrinha como um parque urbano, o que estamos pleiteando, mediante um projeto de lei de nossa autoria.

Conforme o Cartório de Registro de Imóveis de Goiânia, corroborado por depoimentos de familiares foi cavalgando pelo Morro da Serrinha, o ponto mais alto da área original da cidade, no princípio da década de 30, que o fundador, Dr. Pedro Ludovico Teixeira, visualizando empolgado aquele esplendoroso horizonte, convenceu-se de que encontrara o lugar ideal para a instalação da nova capital de Goiás.

A transformação do Morro da Serrinha em unidade de conservação e preservação ambiental (parque urbano), que proporcione a recomposição de sua vegetação com espécies nativas do Cerrado, vai de encontro ao resgate da memória histórica da cidade, aos anseios maiores da população e ao conceito de sustentabilidade.



Rusembergue Barbosa é presidente do Conselho de Ética da Câmara Municipal e presidente do PRB de Goiânia.(rusemberguebarbosa@gmail.com)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Estátua de Pedro X vandalismo, lixo, sua história e o consenso da Câmara

Diário da Manhã
03 de julho de 2010
Página 10

Em matéria exibida no dia 29 de junho, último, no editorial Cidades do jornal Diário da Manha sobre a decisão por parte da Agência Goiana de Cultura (Agepel) presidida por Linda Monteiro, em instalar uma estátua em homenagem ao interventor de Goiás e fundador de Goiânia Pedro Ludovico Teixeira no Morro da Serrinha, região Sul da cidade, não agrada somente aos familiares e ambientalistas, mas também à aqueles que defendem tanto a preservação escrita quanto material de um dos grandes personagem da história goiana, Pedro Ludovico, que fez história, como fez JK, no planalto central.
Me surpreende e muito ver a decisão de Linda Monteiro em escolher o Morro da Serrinha para abrigar a estátua de Pedro Ludovico, visto que, o mesmo pouco deve, ou nada deve nenhum tipo de relação diretamente com o Morro a não ser o setor que leva o seu nome nas proximidades. Por que não abrigar a estátua na sua praça, (Praça Pedro Ludovico, mais conhecida como Praça Cívica) perto de sua casa localizada na avenida de sua esposa (Gercina Borges Teixeira), perto de seus prédios (Palácio das
Esmeraldas, Palácios das Campinas), no palácio sede do governo estadual que tem o seu nome ou no mais provável no seu reduto, o Centro de Goiânia. Será de interesse público a criação de outra estátua sendo que na entrada do Palácio das Esmeraldas já tem uma?
É, parece que a presidente da Agepel Linda Monteiro, não tem conhecimento desta estátua bem como onde atuou, construiu, edificou e morou e Pedro Ludovico. Parece também que não é de conhecimento de Linda Monteiro o grave problema que o Morro da Serrinha vem passando com o vandalismo, lixo, queimadas criminosas, ponto de uso e tráfico de drogas denunciado aqui no Diário da Manha por diversas vezes.
Caso a estátua venha ser construída no Morro da Serrinha, não indicarei e a verei como ponto turístico, pois sei que ali não é o local ideal para abrigar um monumento a altura para uma grande pessoa. No mais é parabenizar a Câmara Municipal de Goiânia que aprovou um projeto de lei que determina a instalação da estátua no Centro de Goiânia, assim faça a vontade do prefeito Paulo Garcia – PT, e com certeza da grande parcela da população goiana.

Ademário Neto é professor de Geografia e pós-graduando em História Cultural pela UFG. (Twitter.com/Ademárioneto Neto.ademario@gmail.com)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sociedade prefere Praça Cívica para estátua

Cidades, Diário da Manhã
24/01/09, Pág. 03


O local para instalar a estátua de Pedro Ludovico tem gerado polêmica em Goiânia. A tentativa da Agência Goiana de Cultura (Agepel) de homenagear o fundador de Goiânia ao sugerir a instalação do monumento no Morro da Serrinha foi duramente criticada, principalmente por ambientalistas, já que a área escolhida é reserva ambiental. Diante do imbróglio, o DM ouviu 30 personalidades goianas, entre políticos e intelectuais, sobre a melhor localidade para o monumento. O impasse dura dois anos e dois meses, já que, em novembro de 2006, a estátua ficou pronta em funilaria do interior paulista, na qual o monumento foi banhado em bronze.


Entre os entrevistados (ver site do DM para identificá-los), 23 afirmaram categoricamente que o monumento deve ser instalado na Praça Cívica. A justificativa é simples: o local representa o poder administrativo estadual. Quatro entrevistados apontaram o Morro da Serrinha como o melhor local, pois foi do alto do morro que o visionário fundador escolheu os terrenos onde seria construída a nova capital. Apenas três dos 30 ouvidos selecionaram outros locais para o monumento.


O projeto da construção da estátua foi idealizado pelo escritor José Mendonça Teles, em 1983, quando ocupava o cargo de secretário municipal de Cultura, na administração do prefeito Nion Albernaz. O monumento é de autoria da artista plástica Neuza Moraes, tem sete metros de altura e três de largura, pesa 2,5 toneladas e retrata o fundador da Capital e interventor do Estado de Goiás, Pedro Ludovico Teixeira, montado em um cavalo.


A artista Neuza Moraes faleceu em fevereiro de 2004, com 72 anos, sem ver a estátua instalada. Foi entregue na segunda-feira (19) ao governador Alcides Rodrigues o manifesto pela instalação da estátua de Pedro Ludovico Teixeira na Praça Cívica. O vereador Rusembergue Barbosa (PRB) pediu apoio do governo estadual na tentativa de trazer o monumento de Piracicaba (SP), onde está guardado, para Goiânia.

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Cidades, Diário da Manhã

28/01/09, Pág. 06


Resultado da enquete com os leitores do jornal Diário da Manhã:

- Onde deve ser colocada a estátua em homenagem a Pedro Ludovico?



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Cidades, Diário da Manhã

29/01/2009, Pág. 09

Escritor pede urgência em instalação de estátua

Idealizador do monumento que apresenta o ex-governador do Estado e fundador de Goiânia Pedro Ludovico Teixeira montado num cavalo, em tamanho natural, escritor José Mendonça Teles cobra do governador Alcides Rodrigues urgência na remoção da obra para a Capital e a sua instalação na Praça Cívica.

“O governo não pode mais adiar a solução desse problema, que só envergonha todos nós goianos”, disse. O escritor quer que o monumento seja colocado na Praça Cívica conforme determina um projeto de lei do vereador Rusembergue Barbosa (PRB), no local onde funcionava a antiga Prefeitura de Goiânia, Palácio das Campinas. O prédio, que destoa do projeto arquitetônico art déco da Praça Cívica, deve ser demolido para dar lugar à estátua. O presidente do Instituto Cultural José Mendonça Teles comentou sobre a enquete publicada na edição de 28 de janeiro do Diário da Manhã que questiona o local onde deve ser instalada a estátua de Pedro. O resultado da enquete mostra que 83% das pessoas ouvidas pelo DM querem que a estátua de Pedro Ludovico seja instalada na Praça Cívica, cujo nome oficial é Dr. Pedro Ludovico Teixeira. Apenas 17% dos consultados na enquete responderam que preferem ver o monumento no Morro Serrinha.

Para ele, a enquete é uma prova da vontade legítima e soberana da população. “Espero agora que o governador Alcides Rodrigues seja sensível a essa vontade popular, resolva imediatamente essa polêmica que já dura quase duas décadas e determine a instalação do monumento na Praça Cívica”, diz o escritor goiano.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Lugar de Pedro Ludovico é na Praça Cívica

Monumento de Pedro Ludovico está pronto em funilaria paulista: obra banhada em bronze motiva movimento dos goianienses
Augusto Diniz
18/01/2009
Diário da Manhã
Cidades, p. 5

O manifesto pela instalação da estátua de Pedro Ludovico Teixeira na Praça Cívica foi lançado na sexta-feira (16) pelo vereador Rusembergue Barbosa e os escritores José Mendonça Teles e Ubirajara Galli. Desde novembro de 2007 o monumento que foi esculpido pela falecida artista plástica Neuza Morais está pronto em funilaria do município de Piracicaba (São Paulo), lugar no qual a obra foi banhada em bronze.
A medida tomada pelo vereador e os escritores tenta chamar a atenção do governo estadual para que a estátua seja trazida para a Capital e instalada na Praça Cívica. De acordo com Rusembergue Barbosa, é uma forma de resgatar a memória dos que lutaram por Goiânia e pelo Estado de Goiás. O escritor Mendonça Teles idealizou o projeto de construção em 1983 quando era secretário municipal de cultura.Em 1991, quando Nion Albernaz era prefeito, Teles convidou Neuza e pediu que a artista plástica esculpisse um monumento em homenagem ao fundador da Capital. Na obra, Pedro Ludovico está montado em um cavalo. A estátua, intitulada “Resgate à Memória”, tem sete metros de altura e três de largura, com peso de 2,5 toneladas.
Visionário
Descrito no manifesto como “o visionário do Brasil Central”, Pedro Ludovico participou diretamente da mudança da capital da cidade de Goiás para Goiânia, em 1937. Só que essa história não é lembrada por todos. De acordo com o escritor e historiador Ubirajara Galli, muitos goianos não sabem quem foi o interventor de Goiás que dá nome ao local conhecido como Praça Cívica. O lugar chama-se Praça Pedro Ludovico Teixeira. Assim como a Praça do Bandeirante é na verdade Praça Atílio Correia Lima, em lembrança ao arquiteto responsável pelo plano piloto urbanístico da nova sede estadual em 1933.
Desejo
Galli lembra que há 18 anos, desde que a estátua foi iniciada, existe o desejo de homenagear o político, que para o escritor é uma das figuras mais importantes da história de Goiás. Mas o projeto, que completou 26 anos, passou por três gestões estaduais até ser colocado em prática com o convite da artista plástica Neuza, conta o historiador. Os escritores e o vereador lamentam que a mulher responsável pela obra tenha falecido em 2004, antes de ver o trabalho no “merecido lugar”.
Descaso do poder público, desinteresse em resgatar a memória e esquecimento são pontos lembrados pelo vereador para que o manifesto seja discutido em audiência na Câmara Municipal, que será marcada em breve. A intenção de Rusembergue Barbosa é ouvir entidades relacionadas à produção cultural em Goiás para que a estátua de Pedro Ludovico seja trazida para Goiânia e instalada na Praça Cívica.
Prefeito cobra homenagem para fundador da Capital
O prefeito Iris Rezende, que conversou na sexta-feira por telefone com o editor-geral do Diário da Manhã, Batista Custódio, afirma que o monumento de Pedro Ludovico tem de ser colocado na Praça Cívica. Para Iris, a medida seria o reconhecimento à história de um homem que foi um dos maiores líderes políticos de Goiás. Ele diz que é uma vergonha para os goianos não dar a devida importância ao fundador da Capital. Segundo o prefeito, nem a ditadura teve coragem de impedir a colocação da imagem de Juscelino Kubitschek no Eixo Monumental de Brasília (DF). Por isso, ele declara que não há como dizer que a estátua não deve ser instalada no local.
Outra pessoa que apoia o manifesto, segundo o vereador, é o governador Alcides Rodrigues. Para que a estátua seja instalada na Praça Cívica, os autores do pedido de trazer o monumento de volta para Goiânia esperam que ela fique no lugar onde hoje funciona a Secretaria de Finanças, no prédio da antiga prefeitura, o que acarreta a demolição do espaço. Dois motivos são apontados por Rusembergue e Galli para que a estátua seja mesmo instalada na Praça Cívica.
De acordo com o escritor, seria o lugar ideal pela proximidade com o Palácio das Esmeraldas, do qual Pedro Ludovico foi o primeiro inquilino, e pela proximidade com a residência do interventor de Goiás, que fica na antiga Rua 26 (atualmente chama-se Rua Dona Gercina Borges), próxima ao centro do poder do Estado na Capital.
Momento oportuno para receber escultura de Pedro
Inicialmente pensava-se em homenagear o fundador da Capital em 23 de outubro de 1991, data que marcou cem anos de nascimento de Pedro Ludovico. Mas agora o escritor Galli diz que o momento é oportuno para que o monumento volte a Goiânia, pois em 16 de agosto de 2009 o político será lembrado pelos 30 anos de sua morte.
“Foi o maior político da história de Goiás.” Assim Pedro Ludovico é lembrado pelo historiador. Galli compara a importância da figura que já governou o Estado ao primeiro ouro levado daqui para Piracicaba, usado na confecção de coroa para a santa da Igreja Nossa Senhora da Penha. Para o escritor, o papel que Pedro Ludovico desempenhou para o desenvolvimento de Goiás é tão valoroso quanto o metal precioso.


segunda-feira, 21 de abril de 2008

Monumento eqüestre: implicações de uma escolha correta

Por Osmar Pires Martins Júnior*

*Biólogo, engenheiro agrônomo, mestre em Ecologia, professor universitário e presidente da Academia Goianiense de Letras (AGnL).

Cidades - Diário da Manhã
25/01/2008, 06/12/2007 e 13/12/2007

A Agência Goiana de Cultura (Agepel) anunciou o local para instalar o monumento eqüestre de Pedro Ludovico. A estátua de bronze, com 14 metros de altura, esculpida em gesso e fundida em bronze, com Pedro Ludovico montado em um cavalo, cavalgando no ponto mais alto de onde avistou o vale escolhido para sediar a nova capital do Estado de Goiás. A obra escultural da artista Neusa Moraes “será instalada no Morro Serrinha”, divulgou Linda Monteiro, presidenta da Agepel, que realiza uma gestão dinâmica e profícua em prol da cultura goiana.Sobre este assunto, eu escrevi dois artigos publicados neste espaço em dezembro do ano passado. O primeiro no dia 6, intitulado Um monumento à altura da obra de Pedro, e o segundo no dia 13, Resgate de uma dívida histórica (ambos os artigos se encontram abaixo). Volto ao assunto para acrescentar que, além do significado histórico e cultural, outros aspectos igualmente importantes devem ser considerados na escolha do local para instalar um monumento que possui significado tridimensional: histórico, cultural e ambiental. Sobre os dois primeiros, deixo de discorrer, tendo em vista que personalidades da estatura de José Mendonça Teles e Mauro Borges já se pronunciaram a respeito. Enfoco aqui a natureza urbanístico ambiental do Morro da Serrinha, como necessária e importante, que não deve ser colocada em segundo plano, sob pena de se reduzir, involuntariamente, a dimensão da obra de Neusa Moraes a um objeto físico portentoso, mas destituído de vida. O monumento ganhará vida na medida em que a escultura integrar profundamente os seus aspectos multidimensionais. O Morro da Serrinha é o ponto mais alto de onde, na década de 30, se projetou o futuro; mas, simultaneamente, é o testemunho do cerrado típico, que outrora cobria extensamente o Centro-Oeste e, hoje, remanesce dentro de um tecido urbano dilacerado pela ocupação humana desordenada. Sobrevivem no Morro da Serrinha mais de 70 espécies de uma vegetação típica brasileira, como araticum, murici, pequi, cagaita, jacarandá, bacupari, manjericão-do-campo, ipê-amarelo. O monumento, portanto, expressa a memória histórico-ambiental brasileira, na sua jornada de interiorazação e conflito desbravador – preservador. A visibilidade, a estética e o acesso ao monumento, necessários à valorização da própria obra, requerem a implantação de uma estrutura adequada e sustentável, implicando na recuperação do Morro da Serrinha e na implantação do parque de mesmo nome. Portanto, representa o resgate de um patrimônio urbanístico ambiental da cidade que foi relegado à sanha especulativa dos que dilapidam os bens de uso comum da população. O Parque Serrinha é um espaço livre constante do plano original da cidade que, implantado, revitalizará corretamente uma região urbana importante, mas esquecida. E sem provocar impactos negativos, como a construção de prédios comerciais de dezenas de andares, pretendida num passado recente. O prefeito Iris Rezende, o secretário de Cultura, Kléber Adorno, o presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente, Clarismino Júnior, juntamente com a presidenta da Agepel e o governador Alcides Rodrigues, dirigentes comprometidos com os interesses maiores da coletividade, têm um desafio e uma oportunidade única de promover um entendimento capaz de quitar uma dívida do Poder Público com a história, a cultura e o meio ambiente da Capital dos goianos. Na esteira da iniciativa da Câmara Municipal de Goiânia, por meio do vereador Pastor Rusemberg, um possível fruto do entendimento entre a prefeitura e o governo estadual seria a promoção de um concurso público para a elaboração do projeto de implantação de um belo e moderno parque ecológico, no Morro da Serrinha, contendo um mirante com o monumento eqüestre de Pedro Ludovico. A população agradeceria esta iniciativa como sinal de amadurecimento e avanço das políticas públicas no nosso Estado.

Um monumento à altura da obra de Pedro

O expoente escritor José Mendonça Teles escreve as suas Crônicas & Outras Histórias há décadas n’O Popular. Na de 3 de dezembro de 2007, intitulada “O cavalo de Pedro Ludovico”, lançou o desafio aos homens públicos, verdadeiramente comprometidos com Goiânia: “Já pensou um mirante, com turistas à vontade e o Pedrão lá em cima, montado a cavalo, olhando a cidade que ele carinhosamente construiu?”.O sábio escritor nos propõe a instalação da monumental obra de Neusa Morais – a estátua eqüestre de Pedro Ludovico, montado a cavalo, vistoriando a área onde seria construída a nova capital de Goiás – no Morro Serrinha. Noutra crônica, escrita em 29 de dezembro de 1996, afirmou: “Foi vistoriando as terras, montado a cavalo, na região da Serrinha, que Pedro Ludovico decidiu-se de que aqui seria a nova Capital”.Além dos aspectos históricos e culturais envolvidos, acrescento outros de natureza ambiental para reforçar a proposta lançada. O Morro Serrinha ocupa uma área de cento e oito mil metros quadrados, entre o Setor Pedro Ludovico e o Bairro Serrinha, próximo ao Setor Bueno, com um perímetro de um mil quatrocentos e cinqüenta metros. Nesta região da cidade há carência de espaços livres e, em especial, de áreas verdes, com desequilíbrio entre áreas construídas e não construídas, na qual prevalecem as primeiras, reduzindo a disponibilidade de espaços livres. As áreas públicas alienadas no entorno direto do Morro Serrinha somam seiscentos e oitenta e um mil metros quadrados, correspondendo a uma dilapidação de 20,5% do patrimônio público.Somente no Setor Bueno, foi privatizado um total de área pública de trezentos e cinqüenta e sete mil metros quadrados. O processo de alienação, parcelamento e edificação das áreas públicas da região é intenso e levou à formação de um passivo de um milhão e trinta e sete mil metros quadrados de áreas públicas desvirtuadas da sua função original, destinadas à proteção do meio ambiente, ao lazer e recreação, à educação, saúde e segurança públicas. Este processo está associado à impermeabilização do solo e à manifestação de episódios de enchentes causadores de prejuízos ao patrimônio público e particular, à saúde pública e à vida humana.Apesar da elevada densidade demográfica da região, são poucas as Unidades de Conservação existentes com áreas expressivas, como o Jardim Botânico, que possui uma área de quase um milhão de metros quadrados. Portanto, pode-se afirmar que trata-se de uma região com um déficit de espaços públicos, comprometendo funções urbano-ambientais relevantes ao equilíbrio do meio urbano, de lazer e de recreação ao goianiense. O Morro Serrinha se constitui hoje em uma das pouquíssimas – talvez a única – reservas de Cerrado, que é o tipo predominante na região e que, por sua fisionomia menos “exuberante” que as matas, vem sendo equivocadamente relegado a um segundo plano – dentro da área urbana de Goiânia. Essa constatação aponta para a necessidade de preservação da vegetação daquele morro. Do ponto de vista fisionômico, a vegetação da Serrinha é de “cerrado típico”, com dois estratos, um rasteiro e outro arbustivo-arbóreo, este formado por árvores de porte baixo. No aspecto florístico, levantamento feito pelo professor Heleno de Freitas, do Departamento de Botânica da UFG, registrou 71 espécies vegetais, como jatobá-do-cerrado, ipê-do-cerrado, barbatimão, faveira, carobinha. Esse número de espécies é próximo da média observada em áreas de Cerrado. Esse dado indica que, apesar do intenso nível de degradação sofrido, a área da Serrinha milagrosamente conserva as características ecológicas típicas dos ecossistemas de Cerrado. A proposta de José Mendonça Teles é uma alternativa de preservação deste patrimônio, frente às ameaças que o submetem à permanente extinção.

Resgate de uma dívida histórica

Do ponto de vista urbanístico, o Morro Serrinha pode ser caracterizado como um Espaço Livre Público, criado pelo Decreto n.º 70, de 08 de novembro de 1957, que aprovou o loteamento denominado Bairro da Serrinha, de propriedade do Sr. José Campos. O Memorial Descritivo, assinado pelo arquiteto V. Holanda (CREA 2423/D), estabelece que o citado loteamento foi “elaborado de acordo com as exigências previstas no Código de Edificações de Goiânia e do Decreto-lei n.º 90-A, de 13 de julho de 1938”. Este decreto aprovou o primeiro Plano Diretor da Cidade, elaborado pelo Arquiteto-Urbanista Attílio Corrêa Lima, de acordo com as diretrizes urbanísticas de Cidade-Jardim, cuja concepção proporcionou à cidade um elevado percentual de espaços livres por habitante urbano.No memorial do primeiro plano de Goiânia, destaca-se, dentre outras, a diretriz urbanística de zelar pelas belezas naturais da cidade. Em decorrência da diretriz citada, os planos de loteamentos submetidos à aprovação do órgão oficial de parcelamento do solo urbano de Goiânia, como regra geral, delimitavam como áreas de preservação aqueles locais contendo recursos naturais do sítio a ser urbanizado. Em decorrência do Plano Diretor Original, a Lei nº 4.526, de 31/12/1971, que instituiu o Plano Diretor Integrado de Goiânia (PDIG de 1971), no artigo 11, estabeleceu como uma das zonas de uso a serem indicadas na planta de Zoneamento, as zonas verdes de recreação e cultura (ZV). No artigo 25 são citadas algumas medidas objetivando a preservação e valorização de áreas para a recreação e atividades ao ar livre, dentre as quais os Centros Culturais, os Parque Infantis, os Centros Comunitários, o Verde Linear, os Parques Municipais nos fundos de vale, a criação de um Parque Regional e a reserva de faixa mínima de 50 metros de ambos os lados dos córregos da zona urbana e de expansão urbana. A Lei de Zoneamento de 1980 - Lei n.º 5.735, de 19/12/1980, no seu art. 24, item XVIII, em obediência à mesma diretriz urbanística, enquadrou na categoria de ZV-P as áreas de morros e aquelas cobertas por bosques, matas e florestas dotadas de características ecológicas especiais. O PDIG de 1992 – Lei Complementar nº 015/92 estabeleceu a necessidade de se criar Unidades de Conservação, dentre outros, em morros isolados que são elementos marcantes na paisagem urbana. A Lei de Zoneamento de 1994 – Lei Complementar n.º 031, de 29/12/1994, define como Área de Preservação Permanente, no art. 84, III, dentre outras, os topos e encostas dos morros do Mendanha, Serrinha, Santo Antônio e do Além.A legislação urbanística de Goiânia é inteiramente coerente com o Plano Original de 1938. Por isso, as plantas de loteamento dos Setores Serrinha e Pedro Ludovico, arquivadas na Secretaria Municipal de Planejamento, delimitam o Morro Serrinha como um Espaço Livre de função ambiental, enquadrado-o na categoria de Parque Municipal, cuja área maior parte do solo permanece ainda em estado permeável, apesar de funcionar, no local, um reservatório de água de 10.000 m² da Empresa de Saneamento (SANEAGO) e de três torres para emissão, transmissão e recepção de dados da Embratel e da Telegoiás. Algumas empresas de construção e incorporação que chegaram a obter títulos dominiais na área foram indezinadas pelo Governo Estadual, que pretendia construir ali o Teleporto e desistiu do projeto. Vislumbra-se, pelo que foi exposto, a oportunidade dos Governos do Estado e do Município desenvolverem agora uma parceria para implantar o esquecido Parque Ecológico da Serrinha e instalar ali a estátua eqüestre de Pedro Ludovico, num ambiente belíssimo e cheio de simbolismo cultural, resgatando uma dívida histórica e permitindo recuperar uma área de dois alqueires de cerrado típico, no ponto mais alto de Goiânia, de onde Pedro vislumbrou o vale que escolheu para a construção de Goiânia.

Não à estátua na Serrinha

Cidades - Diário da Manhã
27/03/2008

Em 1989, a escultora Neusa Moraes e o então prefeito de Goiânia, Nion Albernaz, acertaram a criação de estátua de Pedro Ludovico Teixeira, fundador de Goiânia, montado em cavalo. Até sua morte, em 2004, Neusa lutou para ver a obra instalada. O Estado assumiu o projeto, bancou os gastos com a fundição e, finalmente, a estátua eqüestre será instalada em Goiânia. Ninguém reclama da homenagem, mas a pretensão da Agência Goiana de Cultura (Agepel) de colocar a escultura na Serrinha é duramente criticada. O ambientalista Antônio Carlos Volpone, presidente da Associação dos Exploradores de Cavernas e Elevações (ONG Guerreiros da Natureza), diz que a entidade é radicalmente contra qualquer atividade humana na Serrinha e por isso não concorda com a instalação da estátua de Pedro Ludovico no local. “A homenagem é justa, mas lutamos demais contra a instalação do projeto do heliporto (entenda-se teleporto) e não podemos admitir a colocação de nada que possa prejudicar o ambiente.” Volpone lembra que os Guerreiros, em parceria com professores das universidades Católica e Federal de Goiás e outras entidades, reuniram mais de mil pessoas para dar um abraço simbólico na Serrinha. “Na época da discussão sobre o heliporto, plantamos árvores do Cerrado que estão crescendo. A Serrinha está ficando mais bonita com a volta da vegetação. O ideal é que a área fosse completamente fechada à presença humana. O terreno é pedregoso. Cada planta pisoteada é uma perda difícil de ser recuperada.”O escritor Geraldo Coelho Vaz, ex-presidente da Academia Goiana de Letras e ex-presidente da Secretaria de Cultura do Estado, atual Agepel, acaba de escrever uma pequena biografia de Pedro Ludovico, que integrará o livro Academia Goiana de Letras - História e Antologia. A obra também conterá um texto de Pedro Ludovico, extraído de seu livro Falando com Franqueza. Coelho Vaz não tem dúvida sobre a localização ideal para a estátua do fundador de Goiânia: “Sou favorável à Praça Cívica porque foi lá que Pedro viveu dias decisivos de sua vida pública e ele também morou no Palácio das Esmeraldas.” Diz que o melhor lugar para a estátua é o terrreno ocupado pelo antigo Palácio das Campinas, onde hoje funciona um setor da Secretaria de Finanças do município. “Defendo a colocação da estáua de Pedro na Praça Cívica e já dei depoimentos outras vezes sobre isso. Além da obra de Neusa, deve ser construído um Memorial a Pedro Ludovico. Espaço para visitação pública, com objetos de seu uso pessoal, como a caneta que ele usou para assinar a fundação da Academia Goiana de Letras. Pedro foi ocupante da cadeira número um da academia, e foi seu presidente. Sua figura representa uma imensa riqueza histórica que o os moradores e visitantes de Goiânia precisam conhecer.” O ambientalista John Mivaldo, ex-secretário de Meio Ambiente de Goiânia e professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Engenharia da UCG, diz que, por ser área de preservação ambiental, o morro não pode abrigar obra que prejudique a infiltração de água ou altere as características do local: “Não conheço o projeto, mas, em tese, se não houver impermeabilização do solo, nem retirada de terra, se a obra não provocar alterações morfológicas, não vejo como problema a simples colocação da estátua.” O secretário de Cultura de Goiânia, Kléber Adorno, lava as mãos sobre a questão. Diz que o assunto será resolvido pela Agepel e confia que a agência vai achar a solução adequada. A decisão de instalar a estátua na Serrinha foi da presidente da Agepel, Linda Monteiro. A idéia desagrada a ambientalistas porque o morro, que em princípio deveria ser área de preservação, já abriga construções e torres de transmissão de sinais de rádio e televisão. Apesar destas intervenções, é uma das poucas áreas de Cerrado que sobreviveram em Goiânia.

Luta por obra na Praça Cívica

Desde a morte da artista Neusa Moraes, em 2004, Marina Moraes e o marido, João Batista Rodrigues de Moraes, irmão da artista, lutaram para ver a estátua de Pedro Ludovico instalada na Praça Cívica. João Batista morreu em julho do ano passado. E Marina não desistiu. “Peregrinei por todos os órgãos e acompanhei todo o andar do processo. Meu temor é que os irmãos de Neusa, todos na terceira idade, morram antes de ela receber essa homenagem.”A empresa que fundiu a estátua de Pedro Ludovico doou a fundição do busto da artista em bronze. Se encontrar uma instituição que pague pela criação, Marina já tem o artista que fará a imagem de Neusa. É o escultor Julio Valente. “Ele sempre trabalhou Neusa, que o considerava um grande talento.” Diretor de Conservação do Cerrado da ONG Guerreiros da Natureza, Anderson Kiaoki diz que a estátua tem de ficar na Praça Cívica, porque a praça centraliza todas as autoridades. “Estão querendo acabar com o único pedaço de preservação do Cerrado que ainda resta em Goiânia, que é o Morro da Serrinha. Se colocar a estátua lá, vai asfaltar, e causar grande impacto no meio ambiente.” Os estudantes Vitória Coelho, Renato Silva e Antônio Carlos Silva, alunos do Colégio Classe A, visitaram ontem pela primeira vez o Morro da Serrinha, região sul de Goiânia. Os três ficaram encantados com as árvores tortas que existem no local. “Eu não sabia que existia um pedaço do Cerrado em cima do morro”, afirma Vitória, que discorda da estátua na Serrinha. Segundo ela, o lugar é muito isolado para sediar um monumento tão importante.

Professora sugere criação de concurso

Márcia Metran de Mello, doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e professora de Arquitetura da Universidade Católica de Goiás (UCG), autora do livro Goiânia: cidade de pedras e de palavras”, defende a realização de concurso público para escolher o melhor projeto para estátua de Pedro Ludovico. Márcia considera que Serrinha e Praça Cívica podem ser locais apropriados para abrigar a obra de Neusa Moraes. Sua preocupação vai mais longe: “Simbolicamente, ambos os lugares são adequados. O que é mais importante é o diálogo que a população terá com a estátua, como serão as condições de freqüência do público, como ela será ambientada. A melhor solução seria o concurso público, para que os arquitetos apresentem soluções técnicas e a melhor seja escolhida.”Já a dona de casa Marina Moraes, cunhada da escultora Neusa Moraes, defende a instalação de um busto da artista junto à estátua eqüestre de Pedro Ludovico. Marina diz que Neusa ganhou prêmios importantes em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas preferiu voltar para Goiânia: “Ela amava Goiás. Merece essa homenagem.”mais conhecidaO Monumento às Três Raças, criação de Neusa Moraes para homenagear europeus, africanos e indígenas que construíram Goiás e edificaram Goiânia, é a obra mais conhecida da artista. O bloco sustentado pelos representantes dos trabalhadores passou no teste da popularidade . A homenagem à miscigenação é um dos cartões postais mais conhecidos de Goiânia. A escultura em bronze enfeita a Praça Cívica desde 1967.